Facebook tem mais informação sobre as pessoas que qualquer empresa

novidades, redes sociais — By RicardoCosta on Julho 25, 2010 at 7:10 pm

Falta de legislação e diferentes sistemas jurídicos tornam redes sociais uma fonte apetecível de dados para estudos de marketing social em muitas empresas.

Segundo o JN, “O Facebook tem mais informação sobre as pessoas que qualquer empresa”, dizia em Lisboa, há um mês, Clara Shih, autora de “The Facebook Era”. A especialista sublinhava o avanço da abordagem publicitária do Facebook ao “partir do que as pessoas gostam, em vez do que as pessoas estão à procura”.

Há dois meses, a abertura de conteúdos do Facebook (tornaram-se públicos todos os conteúdos não bloqueados pelo utilizador) permitiu à E.Life (empresa de monitorização e análise de Média) apresentar-se no mercado nacional com o FacebookMeter. A tecnologia permite indexar todo o tipo de depoimentos no Facebook referentes a marcas, empresas, instituições ou personalidades.

Clara Guerra, do gabinete de informação da Comissão Nacional de Protecção de Dados (CNPD), salienta que “as redes sociais nem sempre são muito claras na informação que dão sobre os dados reencaminhadas para outras empresas”.

A nova ferramenta da E.Life agrega dados e organiza-os conforme o tipo de comentário feito pelos utilizadores. Dados preciosos para empresas que desejem perceber hábitos de consumo, comportamentos, críticas do consumidor.

“Não há nenhum problema no marketing das redes sociais, desde que não se faça às escondidas”, defende Clara Guerra.

Entre outras possibilidades, o FacebookMeter permite identificar os utilizadores mais activos, o número de amigos, as “fan pages” a que estão associados, a localização, a idade e a frequência dos comentários, fornecendo-os aos clientes depois de processados (a Volkswagen, a Sonae, a Zon e a Optimus são alguns). “Na nossa experiência de monitorização temos notado que a maioria, tanto no Twitter, como no Facebook, deixam o perfil público no seu time-line ou wall”, destaca Joana Carravilla, directora da E.Life Portugal.

Em Janeiro, a CNPD alertou o Parlamento para o perigo do “crescente controlo social”. A dificuldade de aplicar legislação numa matéria em que o mundo anda “em roda livre”, torna os esforços de regulação menos visíveis.

“A União Europeia está a rever a directiva de protecção de dados e um dos assuntos em discussão é se o próximo instrumento de protecção legal deve conter normas específicas para o ‘profiling’”, destaca a especialista.

Além de vários Bancos já recorrerem ao “profiling”, são muitas as empresas que recorrem à ferramenta de processamento de grandes quantidades de dados. Os conteúdos abertos são um manancial – um rio de informações (“stream”) captado por empresas de monitorização para análises qualitativas (sentimentos, gostos, etc).

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