Polícia espanhola combate pirataria
notícias — By RicardoCosta on Dezembro 3, 2009 at 3:40 pm

As posições estão cada vez mais extremadas em Espanha.
De um lado estão os artistas, que exigem novas medidas de apoio aos criadores e o fim definitivo da pirataria online. Do outro lado da barricada estão os internautas, que argumentam que o fecho de sites de partilha de ficheiros dá a estocada final na ideia fundadora da Internet: uma rede livre de e para todos. Do lado da indústria, o Executivo de Zapatero está a criar uma comissão independente que irá bloquear todas as páginas que permitam troca de arquivos sujeitos a direitos de autor. Sem necessidade de autorização prévia de um juiz. Esta nova “polícia” terá plenos poderes administrativos.
Comissão da Propriedade Intelectual. Será este o nome do novo grupo de trabalho proposto pelo governo, que terá um âmbito nacional e será composto por peritos independentes. A sua missão será a de salvaguardar os direitos de autor na Internet, constantemente ameaçados pelo download ilegal.
A novidade é que esta comissão terá poderes até agora inéditos para um órgão administrativos, indica o “El País”. Ela terá o poder de bloquear todas as páginas que alojem ou forneçam, sem permissão, links de arquivos sujeitos ao pagamento de direitos de autor, como filmes, canções e videojogos.
O bloqueio destas páginas poderá ser decidido em primeira instância por esta comissão, sem necessidade de recurso a um juiz. A ministra da Cultura espanhola, Ángeles González-Sinde, reconheceu ontem que a comissão poderá decidir, com “plenas garantias”, as medidas a adoptar contra todos aqueles que se apoderem de conteúdos criados por outrem. A participação de um juiz poderá ser necessária, mas será a comissão a avaliar dessa necessidade.
Para que fique claro: esta medida nada tem a ver com o corte de Internet aos utilizadores, recordou a ministra da Cultura. Trata-se apenas do bloqueio das páginas que disponibilizem conteúdos sem o devido pagamento de direitos.
Para conseguir detectar quais as páginas que estarão a fornecer conteúdos para downloads ilegais, a Comissão da Propriedade Intelectual irá contar com a ajuda dos ISP (Internet Service Provider, os serviços de fornecimento de Internet) que operam em Espanha – Telefónica, Jazztel, Vodafone, Orange, etc. Os ISP estão obrigados a fornecer esses dados à Comissão. Uma vez constatada a violação da lei, a comissão irá remeter vários avisos (desconhece-se quantos) para que o site de partilha ilegal de ficheiros em questão cesse a sua actividade. Caso não acate a ordem, a Comissão poderá então solicitar o bloqueio da página e a retirada de conteúdos da mesma, escreve o “El País”.
Os responsáveis das páginas denunciadas terão direito a ser ouvidos e terão igualmente direito à presunção de inocência, informaram ao “El País” fontes da comissão interministerial responsável por esta medida e que está encarregada de realizar um diagnóstico à “pirataria” na Internet.
Internautas contra-atacam com manifesto anti-“polícia” da Net
Depois do anúncio do Executivo, nem o esclarecimento da ministra da Cultura – garantindo que não se trata aqui de cortar a Internet aos utilizadores que saquem ficheiros com direitos de autor, uma medida que tem ganho terreno na Europa – acalmou os ânimos dos internautas. Já circula pela Web um manifesto que critica a entrada em funções da Comissão da Propriedade Intelectual, indicando abrir-se assim um temível precedente em termos de sanções administrativas.
O manifesto, que tem por título “Em defesa dos direitos fundamentais na Internet”, sublinha que a nova normativa irá dar mais valor aos direitos de autor do que a outros direitos, como o da privacidade, segurança, presunção da inocência, tutela judicial efectiva e liberdade de expressão, regista o “El Mundo”.
O manifesto – que tem dez pontos – também indica que a “nova legislação proposta ameaça os novos criadores e entorpece a criação cultural” já que, graças à Internet, se democratizou a criação de conteúdos, os quais já não provêm exclusivamente das indústrias culturais.
O manifesto sugere ainda uma mudança de modelo para um sector “baseado no controlo das cópias das obras”, exigindo igualmente ao governo que “devolva à sociedade o conhecimento, promova o domínio público e limite o abuso das entidades gestoras” e que “garanta, por lei, a neutralidade da Rede em Espanha”.
Artistas espanhóis marcharam contra o fim da pirataria
Por seu lado – e em sentido contrário – vários artistas e membros da indústria musical e cinematográfica espanhola desfilaram ontem frente ao ministério da Indústria, Turismo e Comércio, em Madrid, em defesa do fim da pirataria. “A música é cultura, a música é emprego” é o título do manifesto que os artistas e produtores apresentaram e que já foi assinado por mais de 2500 profissionais. O documento pede “responsabilidade” e “segurança jurídica” para um sector que, para além de produzir música, dá emprego a mais de cem mil pessoas.
Tags: Hacking, internet, pirataria, polícia espanhola


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