Troca de fotos ‘picantes’ põe os jovens em risco
notícias — By RicardoCosta on Setembro 20, 2009 at 4:16 pm

Caiu na rede, é pânico!
A mania adolescente de se fotografar em poses sensuais, nus ou seminus, e enviar essas fotos pelo telomóvel para namorado ou postá-las em sites de relacionamento é uma perigosa realidade para quem frequenta o território virtual: 17% dos jovens brasileiros admitem que já praticaram o “sexting” – fusão das palavras em inglês “sex” (sexo) e “texting” (envio de mensagem pelo telemóvel). Origem de crimes que vão de constrangimento a prostituição e pedofilia, a fotografia íntima nem sempre fica restrita ao destinatário original – 44% dos adolescentes americanos, onde a moda começou, admitem que é comum compartilhar mensagens sexuais de texto ou foto com outros além do destinatário.
Segundo o web site tecnologia.terra, a nova onda “teen” é polêmica e preocupa pais e autoridades. No Rio, alunos e professores de escolas estaduais, municipais e particulares estão sendo submetidos a pesquisa minuciosa sobre atos de navegação, com foco no “sexting”. O estudo, organizado pela ONG SaferNet, ficará pronto no fim do mês que vem. “Imaginamos que o número de casos não seja muito diferente dos 17% apontados em outros estados”, declarou o diretor de prevenção da SaferNet Brasil, Rodrigo Nejm.
Para melhor transitar e investigar no meio virtual, o Ministério Público do Rio firmou termo de cooperação com a ONG, que fornecerá treinamento para promotores. “Você tem o direito de mandar foto sua, mas, se outra pessoa a divulga e causa constrangimento, é passível de processo por danos morais. Se a foto for de um menor, será um ilícito, como divulgação de material pornográfico de adolescente”, explica a promotora Ana Lúcia Melo, da 25ª Promotoria de Investigação da 1ª Central de Inquérito, afirmando que as mudanças no Estatuto da Criança e do Adolescente facilitaram e deram mais rigor à punição.
Longe da vigilância dos pais, o “sexting” está nas escolas, nas lan houses e até em casa. Pesquisas apontam que as famílias não impõem limite ao uso da internet pelos filhos e pouco sabem da vida virtual da prole: 36% dizem que os filhos não têm amigo virtual, mas 79% dos jovens revelam que têm ao menos um.
Alunas do 1º ano do Ensino Médio na rede estadual do Rio, B., T. e I., todas de 16 anos, aderiram à mania do “sexting”. Postaram fotos sensuais e seminuas por celular e no Orkut, e os pais nem sonham com as iniciativas. “Meu pai confia muito em mim. Se ele soubesse…”, imagina B.
No ano passado, os pais da americana Jessica Logane, 18 anos, conheceram de forma trágica os efeitos nocivos dessa moda. Depois de se fotografar nua e presentear o namorado com a foto pelo celular, a menina passou a ser chamada de “vagabunda” na escola quando o relacionamento acabou e o garoto espalhou as imagens. Ela se enforcou, e os pais lutam hoje por leis que punam o “sexting”.
No Brasil, vídeos e fotografias da intimidade alheia se tornam sucesso na web. Para ostentar ou por vingança, os receptores das imagens as divulgam. Há dois anos e meio, no município paranaense de Maringá, a jornalista Rose Leonel, 38, se deparou na internet com vídeo e fotos suas feitas pelo ex-namorado em momentos íntimos. No site, onde era identificada como prostituta, ainda estavam seus números de telefone. Após perder emprego e ser infernizada por “clientes” até do exterior, ganhou indenização de só R$ 3 mil na Justiça. Mas não se viu livre da exposição.
No Rio, dois adolescentes acusados de produzir e exibir na internet imagens de uma menor tendo relações sexuais com um deles, em 2005, chegaram a ficar internados no Instituto Padre Severino, para infratores. Para preservar a menina, a família mudou de Estado.
Segundo Rodrigo Nejm, entre os motivos do “sexting”, está a competitividade natural da adolescência potencializada pelo momento em que os limites entre público e privado não estão claros. “A intenção do jovem é se destacar na multidão. Ele quer mostrar que é melhor, mais bonito, que não é um qualquer”.
Tags: fotos picantes, jovens em risco, troca de fotos


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