Partido dos Piratas

O Partido dos Piratas é um dos mais de 20 pequenos partidos a disputar as eleições na Alemanha. Mas apesar de dizerem que estão “prontos a tomar os navios da oposição” ou a “navegar no mar alto da política”, os piratas não são um partido a brincar. Segundo O jornal público, seguindo a tendência para usar linguagem náutica, os piratas são um dos partidos a agitar as águas de uma campanha relativamente calma. As sondagens dão uma pequeníssima maioria aos conservadores da chanceler Angela Merkel, junto com os liberais, e quando os sociais-democratas do SPD estão a 12 pontos dos conservadores da CDU.
A notoriedade dos piratas na política está a aumentar depois de os piratas suecos terem conseguido um lugar no hemiciclo europeu e ser apresentado ainda ontem um novo Partido dos Piratas na Grã-Bretanha, defendendo o acesso livre a conteúdos na Internet e o fim da “vigilância excessiva” das acções online.
O Partido dos Piratas alemão foi fundado em 2006 e concorreu às últimas eleições europeias, conseguindo apenas 0,9 por cento.
Mas a sua notoriedade aumentou com uma recente proposta de lei do Ministério da Família, que autoriza a polícia a bloquear sites de pornografia infantil – um bloqueio que, segundo os peritos, é fácil de contornar.
“A lei não tem a ver com o problema da distribuição de pornografia infantil. O que torna é possível que a polícia alemã proíba sites. E isso é o início de censura”, explicou, citado pela rádio Deutsche Welle, um dos membros do partido, Fabio Reinhardt.
Movimento contra censura
A lei acabou por criar, em reacção, um movimento cívico que criou uma petição contra a lei da restrição de acesso – e conseguiu em alguns dias juntar 50 mil assinaturas. Ironicamente, a possibilidade de fazer petições pela Internet foi uma medida do Governo social-democrata-verdes, em 2005, lembra a revista alemã Der Spiegel. O movimento contra a lei não é ligado ao Partido dos Piratas, mas mostra um potencial eleitorado apetecível para vários partidos.
Agora, SPD e Verdes estão entre os que mais podem perder com a ascensão dos Piratas: os sociais-democratas não têm uma linha definida pró-acesso e os Verdes tiveram recentemente uma polémica quando um dos seus membros, Matthias Güldner, criticou “a insustentável leveza da Internet” e as pessoas que “twittam os seus cérebros cá para fora”.
Mas também os Piratas não estão imunes a polémicas. Um dos membros do partido, Jörg Tauss, está a ser investigado por posse de pornografia infantil – o antigo deputado social-democrata diz que acedeu às imagens na sua investigação do assunto. E há o caso de outro membro do partido, Bodo Thiesen, que fez, alegadamente, comentários vistos como negacionistas do Holocausto

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